Lowlands – Escócia

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Dia 12 – de Skye a Glenfinnan, seguindo os trilhos de Hogwarts

Acordamos muito cedo em Portree. Depois de dias de névoa, chuva fina e nuvens escondendo as montanhas, o céu parecia finalmente disposto a nos oferecer uma despedida diferente da Ilha de Skye.

Após colocar as malas no carro, descemos até o porto. As ruas ainda estavam silenciosas. Os restaurantes permaneciam fechados. Poucas pessoas caminhavam pela cidade. Diante de nós, os barcos balançavam lentamente sobre a água enquanto as primeiras luzes da manhã começavam a surgir no horizonte.

Porto de Portree ao amanhecer

Portree nasceu como uma pequena vila pesqueira no início do século XIX e seu porto continua sendo o coração visual da cidade. As famosas casas coloridas da margem ainda permaneciam parcialmente na sombra quando o céu começou a mudar.

Primeiro, tons azulados. Depois, um pouco de rosa. Finalmente, a luz dourada começou a tocar as fachadas. Durante alguns minutos, ficamos apenas observando. Depois de três dias explorando Skye, parecia uma despedida silenciosa da ilha. Guardamos aquela última imagem. E pegamos a estrada.

Seguimos em direção a Kyleakin e atravessamos novamente a Skye Bridge. Desta vez, porém, a sensação era completamente diferente. Na chegada, poucos dias antes, tudo era novidade. Agora reconhecíamos as montanhas, as estradas estreitas, os passing places. As ovelhas que pareciam considerar o asfalto uma extensão natural dos campos.

Ao atravessar a ponte, olhamos pela última vez para Skye. A ilha ficou lentamente para trás. Seguimos em direção a Kyle of Lochalsh e novamente entramos nas Highlands continentais.

Pouco depois, uma imagem conhecida surgiu novamente diante de nós, o Castelo de Eilean Donan. Havíamos visitado o castelo alguns dias antes, quando seguíamos para Skye. Mas, naquela ocasião, as nuvens baixas e o céu cinzento criavam uma paisagem melancólica e tipicamente escocesa.

Agora, sob o tempo bom, parecia outro lugar. A luz iluminava as paredes de pedra. As montanhas ao fundo estavam visíveis. E as águas que cercam a pequena ilha refletiam o castelo. Foi impossível não parar novamente.

Castelo de Eilean Donan

Eilean Donan é um excelente exemplo de como o clima transforma completamente a paisagem das Highlands. Sob as nuvens, parece uma fortaleza misteriosa. Sob o sol, revela detalhes que antes permaneciam escondidos. A elegante ponte de pedra, as pequenas janelas, as diferentes tonalidades das montanhas. E sua posição extraordinária no encontro dos três sea lochs.

Deixamos Eilean Donan e seguimos pelas Highlands em direção a Glenfinnan. Nosso objetivo era muito específico: ver um trem passar. Mas não qualquer trem, o Jacobite Steam Train.

O trem realiza a célebre viagem entre Fort William e Mallaig pela West Highland Line. Em seu caminho atravessa o Glenfinnan Viaduct, estrutura de 21 arcos que se tornou mundialmente famosa graças aos filmes de Harry Potter. Para milhões de pessoas, aquela curva ferroviária nas Highlands leva imediatamente a um único destino: Hogwarts.

Chegamos com bastante antecedência. Era necessário caminhar até um dos dois pontos de observação acima da ferrovia. Em um deles, veríamos o trem indo e no outro o trem voltando, dependendo do horário e direção em que ele estaria seguindo.

Várias pessoas já aguardavam em ambos os lados do viaduto: famílias, fotógrafos e fãs da série de livros que o tornou famoso. Como tínhamos tempo, e verificamos exatamente a o horário e a direção em que o trem estaria se deslocando, fomos primeiro para a esquerda, onde as pessoas veriam o trem passar por elas e seguir pelo viaduto. Todos olhavam repetidamente para o relógio, mas o trem ainda demoraria a chegar.

Viaduto de Glenfinnan

O Glenfinnan Viaduct foi construído na década de 1890 sob a direção do engenheiro Robert McAlpine, conhecido como “Concrete Bob”, e seus 21 enormes arcos utilizaram técnicas pioneiras de construção em concreto. Mas, naquele momento, ninguém parecia muito interessado em engenharia. Todos esperavam o trem.

Descemos o pequeno morro e nos encaminhamos para o segundo ponto de observação. Pisamos em lama, passamos por água e chegamos ao ponto mais alto que podíamos. Cada um se acomodando onde melhor poderia ver e fotografar o trem.

Primeiro ouvimos um som distante. Um apito. Depois, uma pequena coluna de fumaça branca surgiu entre as montanhas. E finalmente apareceu a locomotiva. Lentamente, o Jacobite Steam Train entrou no viaduto. A fumaça espalhava-se sobre os vagões e o trem seguia pela longa curva. E, por alguns instantes, a cena parecia exatamente aquela que milhões de pessoas haviam visto no cinema.

Jacobite Steam Train – ou o Hogwarts Express

O trem finalmente atravessou o viaduto, apitou novamente. E desapareceu entre as montanhas. Todo mundo sorriu, até quem nunca recebeu uma carta de Hogwarts. E naquele silêncio europeu que se seguiu, ouvimos alguém batendo palmas em algum lugar. Tinha que ser algum brasileiro – no caso, uma brasileira. Mas o que aconteceu em seguida foi o melhor: o povo todo entrou na brincadeira, aplaudindo e assoviando também!

Apesar de o Jacobite não ser o fictício Hogwarts Express, a West Highland Line, o viaduto de Glenfinnan e a paisagem ao redor utilizados nos filmes de Harry Potter tornaram o local inseparável da viagem dos jovens bruxos rumo a Hogwarts. A própria operadora do Jacobite destaca essa ligação cinematográfica. E as operadoras de turismo e os cafés locais lucram com isso.

Seria um erro, entretanto, deixar Glenfinnan pensando apenas em cinema. Muito antes de Harry Potter, este já era um dos lugares mais importantes da história da Escócia. Foi aqui, às margens do Loch Shiel, que em 1745 Bonnie Prince Charlie reuniu seus partidários e iniciou a última grande Rebelião Jacobita.

Décadas depois, em 1815, foi erguido o Glenfinnan Monument, uma torre de 18 metros em homenagem aos homens das Highlands que lutaram e morreram pela causa jacobita.

Glenfinnan Monument

De um lado, o monumento e o Loch Shiel. Do outro, o viaduto e a ferrovia. Em poucos metros, Glenfinnan reúne dois tipos completamente diferentes de memória: a história da Escócia e a história do cinema.

Seguimos então em direção a Fort William e, depois, para Onich. A estrada atravessa novamente uma região de montanhas, lagos e vales. Ao longo do caminho, o Ben Nevis permanece próximo, embora frequentemente escondido pelas nuvens.

No final do dia chegamos a Onich, uma pequena comunidade situada na margem leste do Loch Linnhe, a poucos quilômetros de Glencoe. Dali, a paisagem se abre sobre o lago em direção às montanhas de Morvern.

Onich à beira de Loch Linnhe

Depois de tantos quilômetros, não havia mais planos. Fizemos o check-in, deixamos as malas. Antes do jantar, matamos uma garrafa de whisky já começada. E fomos jantar no próprio hotel.

Do lado de fora, as águas do Loch Linnhe refletiam as últimas luzes do dia. Skye já parecia distante. Naquela manhã, havíamos visto o sol nascer sobre o porto de Portree. Reencontramos Eilean Donan sob uma nova luz. Esperamos um trem. Visitamos, ainda que simbolicamente, Hogwarts. E atravessamos novamente as Highlands. Agora, sentados diante de um jantar quente, batia aquela tristeza da viagem estar quase terminando. Mas nos sentíamos consolados porque sabíamos que algumas viagens são lembradas pelos lugares que visitamos. Outras, pelos momentos em que simplesmente paramos para esperar um trem passar.

Dia 13 – de Glencoe ao Loch Lomond, rumo a Glasgow

Acordamos cedo em Onich. Ao abrir as cortinas do quarto, o Loch Linnhe ainda estava completamente tranquilo. As primeiras luzes da manhã refletiam sobre suas águas, enquanto as montanhas ao redor permaneciam silenciosas.

Depois de um café da manhã tipicamente escocês, deixamos o hotel e seguimos pela A82. O destino era Glasgow. Mas, como tantas vezes aconteceu nesta viagem, o caminho seria muito mais interessante do que o próprio destino. Poucos quilômetros depois, entrávamos em uma das paisagens mais impressionantes de toda a Escócia: Glencoe.

Poucos lugares conseguem transmitir tão bem a grandiosidade das Highlands quanto Glencoe. O vale foi esculpido por gigantescas geleiras durante a última Era do Gelo e hoje é cercado por montanhas abruptas, paredões rochosos e extensos campos de urze que mudam de cor conforme a estação do ano.

Mesmo quem nunca esteve na Escócia provavelmente já viu essas montanhas em filmes, séries ou fotografias. Mas nenhuma imagem consegue preparar o visitante para a sensação de estar ali.

Ainda era bem cedo quando passamos por lá. E tivemos que fazer uma parada fotográfica às margens do Loch Leven. A cena parecia cuidadosamente preparada: alguns pequenos barcos de pesca permaneciam ancorados, o lago estava completamente imóvel. Não havia vento. As montanhas refletiam-se na superfície da água com uma perfeição quase inacreditável.

Loch Leven em Glencoe

Durante alguns minutos ninguém falou nada. Apenas observávamos, estupefatos. Um homem passou por n´ós carregando uma câmera com uma lente enorme e pesada. Decerto estava ali pelo mesmo motivo.

É curioso como algumas das lembranças mais marcantes de uma viagem não acontecem diante de monumentos famosos. Às vezes bastam alguns barcos, um lago e silêncio. E as montanhas das Highlands refletidas como um espelho. Foi um daqueles momentos que nenhuma fotografia consegue reproduzir completamente. Mas a gente tentou.

Loch Leven em Glencoe

A cidade de Glencoe guarda uma das páginas mais trágicas da história escocesa. Na madrugada de 13 de fevereiro de 1692, membros do clã MacDonald foram assassinados por soldados que haviam sido recebidos como hóspedes em suas casas durante quase duas semanas. A ordem partiu do governo do rei Guilherme III como punição pelo atraso na declaração de fidelidade à nova Coroa após a Revolução Gloriosa.

Mais do que o número de vítimas, o episódio chocou a Escócia porque violava um dos princípios mais sagrados da cultura das Highlands: o dever de proteger quem recebia hospitalidade. Até hoje, o Massacre de Glencoe permanece como símbolo de traição e é lembrado com profundo respeito pelos escoceses.

Deixando Glencoe para trás, a estrada continua acompanhando vales e lagos até que, pouco a pouco, as montanhas começam a tornar-se menos abruptas. Estávamos deixando as Highlands e, à nossa frente, surgia um dos maiores símbolos naturais da Escócia, o Loch Lomond.

Com quase quarenta quilômetros de extensão, o Loch Lomond é o maior lago em área da Grã-Bretanha e marca, de forma bastante simbólica, a transição entre as Highlands e as Lowlands. Suas águas abrigam dezenas de pequenas ilhas, enquanto suas margens alternam bosques, praias de cascalho e pequenas comunidades que parecem viver em perfeito equilíbrio com a natureza. Desde 2002, toda a região integra o Parque Nacional Loch Lomond & The Trossachs, o primeiro parque nacional criado na Escócia.

Nossa parada aconteceu em Luss. Poucos lugares parecem tão cuidadosamente preservados. As pequenas casas de pedra, muitas delas cobertas por trepadeiras e jardins floridos, alinham-se ao longo de ruas estreitas que conduzem lentamente até o lago.

Grande parte da vila foi remodelada no século XIX pela família Colquhoun, proprietária das terras da região, para abrigar trabalhadores da propriedade de Rossdhu. O resultado foi um conjunto harmonioso que hoje faz de Luss um dos povoados mais pitorescos da Escócia.

Luss

Caminhar por Luss é quase como percorrer um cenário de filme. Tudo parece tranquilo. As árvores. As flores. O pequeno píer. Os barcos balançando lentamente sobre a água.

Poucos minutos de caminhada levam ao conhecido Luss Viewpoint, um mirante sobre o lago. Dali o lago revela toda a sua dimensão. Em dias claros é possível observar diversas ilhas espalhadas pela água, enquanto ao norte surgem novamente as montanhas das Highlands.

Aquele visual todo inspirou uma das canções tradicionais mais conhecidas da Escócia, “The Bonnie Banks o’ Loch Lomond”, cuja melodia atravessou gerações e continua profundamente associada ao país.

Caminhando um pouco pelas ruazinhas da vila, encontramos a Luss Parish Church, uma igreja de pedra que transmite a mesma serenidade da paisagem ao seu redor. Embora o edifício atual tenha sido inaugurado em 1875, sua história remonta ao século VI, quando São Kessog, um missionário irlandês considerado um dos primeiros evangelizadores da região, teria fundado ali uma comunidade cristã. Ao longo dos séculos, sucessivas igrejas ocuparam o mesmo local, transformando Luss em um importante centro religioso das margens do Loch Lomond. Em seu interior destaca-se um raro cemitério com lápides medievais e uma cruz celta esculpida entre os séculos VII e IX, considerada um dos mais valiosos monumentos cristãos antigos da Escócia.

Luss Parish Church

Antes de deixar Luss, fizemos uma breve parada na Loch Lomond Distillery. Embora relativamente jovem em comparação com muitas destilarias históricas da Escócia — foi fundada em 1964 —, ela tornou-se conhecida por sua notável capacidade de experimentar diferentes métodos de produção.

A destilaria utiliza uma combinação incomum de alambiques tradicionais e alambiques de pescoço reto (straight-neck stills), permitindo produzir uma grande variedade de estilos de whisky sob o mesmo teto. Essa flexibilidade faz da Loch Lomond uma das destilarias mais versáteis da Escócia e demonstra que tradição e inovação podem caminhar lado a lado.

A destilaria de Loch Lomond

No final da tarde retomamos a estrada. À medida que nos aproximávamos de Glasgow, o movimento aumentava e as pequenas estradas das Highlands davam lugar a rodovias movimentadas.

As montanhas desapareciam lentamente no retrovisor. Logo surgiram bairros residenciais, edifícios industriais e o intenso tráfego da maior cidade da Escócia. Depois de quase duas semanas cercados por lagos, castelos e montanhas, a chegada a Glasgow representou uma mudança completa de cenário, uma volta à vida urbana.

Excelente. Este último dia deve ter um tom diferente dos anteriores. Não é mais o dia das Highlands ou dos grandes deslocamentos, mas sim um momento de desacelerar, absorver a última grande cidade escocesa e começar, aos poucos, a despedir-se da viagem. Eu o escreveria assim:

Dia 14 – Glasgow, a capital cultural da Escócia

Acordamos em Glasgow diante de uma Escócia completamente diferente. Se Edimburgo impressiona pela elegância de sua história e pela monumentalidade de seus edifícios medievais, Glasgow conquista pela energia. É uma cidade vibrante, criativa e surpreendentemente acolhedora, onde arquitetura vitoriana, arte contemporânea, música e gastronomia convivem em perfeita harmonia.

Durante muito tempo, Glasgow foi conhecida principalmente como um dos maiores centros industriais do Império Britânico. Hoje, reinventou-se como uma das capitais culturais do Reino Unido, reunindo museus de excelência, universidades centenárias e uma vida urbana intensa.

Começamos o dia caminhando pelo centro de Glasgow, já que nosso hotel ficava ali bem perto. Poucas ruas sintetizam tão bem o espírito da cidade quanto a Buchanan Street. Inteiramente destinada aos pedestres, ela reúne edifícios vitorianos cuidadosamente restaurados, elegantes fachadas de arenito, cafés, restaurantes e algumas das principais lojas da Escócia.

Buchanan St. seca

Ao contrário da atmosfera medieval de Edimburgo, Glasgow transmite imediatamente uma sensação de dinamismo. Músicos de rua se apresentam ao longo da avenida, artistas ocupam as esquinas, moradores caminham apressados entre lojas e escritórios.

Buchanan St. molhada

No extremo norte da Buchanan Street abre-se a principal praça da cidade. George Square funciona como o verdadeiro centro cívico de Glasgow. Ao redor encontram-se alguns dos edifícios públicos mais importantes, entre eles a imponente City Chambers, sede da prefeitura desde o final do século XIX.

Glasgow City Chambers

A praça também reúne monumentos dedicados a figuras marcantes da história britânica, como Sir Walter Scott, Robert Burns, James Watt e a Rainha Vitória. Apesar de alguns edifícios estarem sendo renovados, a praça é um excelente ponto para observar o cotidiano da cidade antes de seguir para uma Glasgow muito mais antiga.

Seguimos dali para a Catedral de Glasgow. Poucos edifícios conseguem atravessar quase nove séculos de história preservando sua função original. Construída entre os séculos XII e XV, ela é considerada um dos mais belos exemplos da arquitetura gótica medieval da Escócia e uma das poucas grandes igrejas do país que sobreviveram praticamente intactas à Reforma Protestante.

Catedral de Glasgow

Seu interior impressiona pela sobriedade. Altas colunas sustentam delicadas abóbadas de pedra enquanto a luz atravessa os vitrais coloridos criando uma atmosfera de profundo recolhimento. Sob a nave principal encontra-se a cripta dedicada a São Mungo, padroeiro de Glasgow e fundador da antiga comunidade cristã que deu origem à cidade. Segundo a tradição, foi em torno de seu mosteiro que Glasgow começou a crescer há mais de mil anos.

Não sabíamos o tempo que levaria a pé até West End, então pegamos um metrô. E em poucos minutos chegamos a uma das universidades mais prestigiadas do mundo. Fundada em 1451, a Universidade de Glasgow é a quarta mais antiga do mundo de língua inglesa e desempenhou papel fundamental durante o Iluminismo Escocês.

Universidade de Glasgow

Entre seus antigos alunos e professores encontram-se nomes como Adam Smith, Lord Kelvin, James Watt e o físico William Thomson.

Pátio interno da Universidade de Glasgow

Seu campus atual, inaugurado no século XIX, parece saído de um romance. Os edifícios neogóticos, os pátios internos, os corredores abobadados e as torres fazem muitos visitantes lembrar imediatamente dos cenários de Hogwarts. Embora essa associação seja inevitável, a universidade possui personalidade própria.

Corredores abobadados da Universidade de Glasgow

Nos arredores da universidade encontra-se uma das ruas mais simpáticas de Glasgow. Ashton Lane é uma pequena passagem de paralelepípedos cercada por pubs, cafés, restaurantes e pequenas luzes suspensas entre os edifícios. Durante o dia possui um charme tranquilo. À noite transforma-se em um dos pontos mais animados da cidade.

Nos arredores da Universidade

É uma breve caminhada num bairro bem agradável e pitoresco. Em poucos minutos chegamos ao maior destaque cultural do dia. O Kelvingrove Art Gallery and Museum ocupa um magnífico edifício de arenito vermelho inaugurado em 1901 para a Exposição Internacional de Glasgow.

Kelvingrove Art Gallery and Museum

Sua arquitetura já justificaria a visita. Mas seu interior consegue surpreender ainda mais. O museu reúne mais de oito mil objetos distribuídos por galerias que abordam arte, história natural, arqueologia, armaduras medievais, antiguidades egípcias, história escocesa e tecnologia.

Entre suas obras mais famosas encontra-se Cristo de São João da Cruz, de Salvador Dalí, considerada uma das pinturas mais importantes do século XX. Outro grande destaque é o enorme órgão instalado no salão principal.

Em muitos dias da semana, pequenos concertos gratuitos transformam a visita em uma experiência ainda mais especial. Mesmo para quem normalmente não frequenta museus, Kelvingrove consegue impressionar pela diversidade de seu acervo. É um daqueles lugares onde sempre existe alguma sala capaz de despertar a curiosidade. Ficamos ali até ele fechar.

À procura de uma Tardis azul (referência à série de 1963, Doctor Who), caminhamos de volta ao centro, pois nosso fim da tarde reservava uma última tradição.

A Tardis encontrada

Nenhuma despedida da Escócia estaria completa sem um pub. E nossa escolha foi o The Butterfly and the Pig. Instalado em um edifício vitoriano no centro de Glasgow, o pub preserva uma atmosfera acolhedora que parece resistir ao tempo. Sofás antigos, lustres, móveis de madeira escura, pequenas salas distribuídas por diferentes andares. Tudo contribui para criar a sensação de estar entrando na casa de um velho amigo.

Sentamos ali numa mesa alta para um último happy hour. Mas em vez do tradicional whisky que nos acompanhou durante os dias anteriores, preferimos uma cerveja escocesa. Naquele momento, a bebida era quase um detalhe, pois o que nos movia era a fome e curtir os últimos instantes da viagem.

No pub The Butterfly and the Pig

A Escócia havia se revelado muito além dos castelos e das paisagens que imaginávamos antes da viagem. Mostrou sua história, suas lendas, seus whiskies, sua música, seus pequenos vilarejos e, principalmente, a hospitalidade de seu povo.

Na manhã seguinte embarcaríamos para o Brasil. Mas havia uma sensação compartilhada por todos nós. Não estávamos apenas encerrando uma viagem, estávamos nos despedindo de um país que, de alguma forma, havia conseguido tornar-se familiar. E talvez esse seja o maior elogio que um viajante possa fazer a um destino: partir já pensando em quando será possível voltar.

Crédito das fotos: Fabio Tagnin

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