Aprendizado permanente e a sua promoção por meio do uso das TIC

As Tecnologias da Informação e Comunicação podem ser usadas para melhorar o aprendizado

Publicado por Fabio Tagnin no site administradores.com.br em 29 de outubro de 2010.

Atualmente, o campo do conhecimento humano cresce a cada dia, de tal forma que novos processos, técnicas e campos de aplicação são gerados a um ritmo que, há poucas décadas atrás, parecia impossível.
Passamos da recente sociedade da informação para a sociedade do conhecimento, onde todos nós podemos participar e ajudar no enriquecimento cultural, científico e tecnológico das nossas comunidades.

Nesse processo de geração de conhecimento em constante mudança e crescimento, o aprendizado permanente, ou para a vida inteira, desempenha um papel fundamental para fornecer as ferramentas de base para as pessoas, não apenas para assegurar a capacitação e atualização constantes, mas também melhores níveis de competitividade.

É comum que, ao falar de aprendizado permanente, se use o conceito dando ênfase na educação contínua de adultos e, em particular, fazendo alusão aos processos de capacitação pessoal. No entanto, essa concepção não é muito precisa, já que não contempla a capacidade de crianças e jovens para adquirir hábitos de estudo que forneçam a base para uma atitude comprometida com a superação pessoal, a excelência acadêmica e o desenvolvimento de habilidades para o século XXI.

Algumas das habilidades que podem ser desenvolvidas sob o ponto de vista do aprendizado permanente são:

a) O domínio cada vez maior da própria cultura – identidade nacional e global, aplicação e amplo uso da linguagem e formas de expressão artísticas;

b) O aprendizado de um segundo idioma;

c) O uso de tecnologias da informação e comunicação (TIC) de forma comum em inúmeras situações da vida diária.

A respeito do uso das TIC no campo educativo, existe uma necessidade de que tanto os professores quanto os alunos adquiram consciência do potencial que pode ser desenvolvido com esse tipo de ferramenta e a sua consequente aplicação nos processos de ensino e aprendizado.

Aspectos da formação como conceitos básicos de computação, busca e triagem de informação via internet e trabalho colaborativo fazendo o uso de fóruns, blogs, wikis e artigos online são cada vez mais comuns no segmento educativo, resultando na modernização e atualização das práticas docentes, assim como na reavaliação das competências e habilidades que identificam os planos e programas do aluno.

As TIC representam um meio e, ao mesmo tempo, uma área de competência curricular que expõe a abordagem atual do novo paradigma educativo. Por meio do uso das TIC, professores e alunos podem ampliar as suas possibilidades e enriquecer suas experiências na aula e em atividades extracurriculares, que refletem o aprendizado obtido, ganhando assim formas inovadoras de ensinar e aprender. Ao explorar os benefícios do uso dessas ferramentas, professores e alunos conseguem criar bases sólidas que permitem consolidar estilos de ensino e aprendizado baseados na capacidade, gosto e atitude de seguir aprendendo durante toda a vida.

Fabio Tagnin – Diretor de Expansão de Mercado, Intel do Brasil

Qualidade do ensino é função do salário do professor?

Publicado por Fabio Tagnin em 17 de março de 2009 no Blog de Educação Digital da Intel.

Pesquisa divulgada nesta segunda-feira (16) aponta que os brasileiros continuam insatisfeitos com o ensino público e põem a culpa na falta de motivação dos professores devido ao baixo salário que recebem do Governo. Realizada pelo Ibope para a CNI (Confederação Nacional da Indústria), em parceria com o movimento Todos Pela Educação, a pesquisa revela ainda que apenas 9% dos entrevistados em todo o Brasil acreditam que os principais problemas da educação no País são a baixa qualidade do ensino e o fato de os alunos não estarem aprendendo. A falta de segurança e a presença de drogas nas escolas são apontados como segundo maior problema, por 17% dos entrevistados.

A reflexão a que nos leva a pesquisa versa sobre os investimentos feitos pelo Governo na Educação como um todo. Enquanto 5% dos entrevistados afirmam que a precariedade de equipamentos e condições gerais da escola contribuem para o baixo nível de aprendizagem, outros 4% apenas acreditam que a falta de computadores e a exclusão digital constituem o calcanhar de Aquilles do sistema educacional brasileiro. Ou seja, só colocar o computador na escola não é suficiente para melhorar a qualidade de ensino.

Em maior ou menor grau, todos os problemas listados nas respostas da pesquisa são relevantes. Todos têm influência direta ou indireta na qualidade do processo de ensino e aprendizagem. A falta de professores, apontada por 12% dos pesquisados, ou a falta de escolas (15%) são fatores óbvios. Professores desqualificados e despreparados (11%) também. Mas boa parte da população acredita que a educação no Brasil está melhorando, 47% em ritmo lento e 13% em ritmo acelerado. 23% acredita que está estagnada e 15% acham que está mesmo piorando – só no Sudeste, ou em capitais e periferias, essa porcentagem sobe acima de 20%.

É interessante notar também que praticamente ninguém, ou apenas 1% dos entrevistados com idade entre 40 a 49 anos acredita que a falta de respeito dos alunos com os professores, ou mesmo alunos indisciplinados constituem um problema. Será que isso significa que os alunos estão motivados, ou isso é um desvio da amostra? Essas mesmas pessoas, nessa faixa etária, aceitam a culpa e dizem que a falta de participação dos pais na vida escolar dos filhos é um dos problemas (1%). Faz sentido.

A pesquisa vai além do sistema e mostra que os entrevistados estão insatisfeitos com sua própria qualificação para atuação na área profissional (40%) ou muito insatisfeitos (5%). 49% estão satisfeitos e apenas 6% muito contentes com suas escolhas e oportunidades. A falta de ensino técnico profissionalizante é apontada como fator problemático por apenas 4% dos pesquisados. Faltam oportunidades, cursos de qualificação profissional ou tempo para estudo?

Com a evolução do ensino à distância, hoje pipocam cursos de extensão e aperfeiçoamento profissional, oferecidos por universidades e outras instituições. Muitas Secretarias de Educação oferecem hoje programas de formação continuada para seus professores, sejam presenciais ou online. Outros programas de governo dão descontos e financiam a compra de computadores, para que os professores possam acessar vastas bibliotecas de livros e cursos na internet. Mas será que isso é insuficiente?

Parece que para os professores o que falta é motivação financeira. Para os que trabalham em duas ou três escolas, em dois ou três turnos, e têm que conciliar o planejamento das aulas, sua própria formação continuada, a dedicação a seus alunos, e a vida pessoal, talvez. Mas para aqueles que se interessam em aprefeiçoar seus métodos, em inovar dentro da sala de aula, em cativar os estudantes, não basta apenas ter um bom coração. É também uma questão de sobrevivência. Pelo menos é o que os brasileiros acham.

Contudo, a motivação intrínseca ao ‘ser professor’, aquela guiada pelo aprendizado sustentável, pela realização do aluno, parece ser bem mais importante. E boa parte dessa motivação vem da formação. O interesse dos professores pelos critérios higiênicos – pelos recursos didáticos, livros, mapas, guias, ferramentas, áudio e vídeos – talvez esteja ultrapassado. Não como um item a ser desprezado, mas relegado ao segundo plano em decorrência de interesses mais gerais. O magistrado, a licenciatura, o ensino superior deveriam dar conta de dar ao professor que irá atuar no ensino público uma formação coerente e sólida, que o torne independente na busca por recursos didáticos, com o objetivo de enriquecer seus métodos de ensino.

Hoje fala-se muito em oportunidades de troca de conhecimento com outros professores, na criação de conteúdo, em colaboração, no lidar com o excesso de informação, em resolver problemas complexos. Os alunos precisam seguir absorvendo e criando conhecimento, mas os professores são parte fundamental desse processo e precisam continuar fazendo sua mágica. Junto com pais e mães, devem participar ativamente nos estudos das crianças e criticar o sistema com o intuito de melhorar sempre a qualidade da educação, mesmo que ainda haja obstáculos econômicos e políticos a serem transpostos durante o processo.

Leia a íntegra da pesquisa clicando aqui.

Competitividade e as Habilidades do Século XXI

Publicado por Fabio Tagnin em 15 de setembro de 2008 no Blog de Educação Digital da Intel.

Saiu recentemente o relatório Habilidades do Século XXI, Educação e Competitividade (21st Century Skills, Education and Competitiveness) patrocinado pelas instituições Partnership for 21st Century Skills, Ford Motor Company Fund, KnowledgeWorks Foundation e a National Education Association dos Estados Unidos. Este trabalho analisa o grau de competitividade dos EUA na economia global em função da existência de um sistema educacional voltado às habilidades do século XXI. Se olharmos tais conclusões sob a ótica brasileira, podemos extrair lições importantes e traçar um paralelo com a situação nacional.

Mas, o que são essas habilidades? Além de saber matemática, língua portuguesa e ciências, o aluno precisaria ser exposto a atividades que possam desenvolver (a) seu pensamento crítico e processo de tomada de decisões, (b) sua habilidade em resolver problemas complexos, multidisciplinares e abertos, (c) sua criatividade e pensamento empreendedor, (d) sua habilidade de comunicação e colaboração, (e) maneiras de usar de modo inovador o conhecimento e as informações adquiridas, e (f) sua responsabilidade social como cidadão do mundo.

A primeira razão para que o país mude sua atenção para a melhoria de sua competitividade por meio da educação é apresentada com o retrato de um país com um forte crescimento no setor de serviços, em relação à produção de bens – 86% dos trabalhadores nos EUA prestam algum tipo de serviço e ganham, em geral, um salário médio anual maior que seus companheiros no setor manufatureiro. No Brasil, a área de serviços é uma das que mais cresce. Segundo o IBGE, no segundo trimestre deste ano o setor inteiro cresceu 5,5% – só a área financeira cresceu 12,7% e a de serviços de informação 9,7%.

O fato de as empresas estarem mudando suas estruturas de poder e tomada de decisão para aumentar sua produtividade e grau de inovação também ilustra para onde estamos caminhando: é preciso ter pessoas mais preparadas para analisar informações, pensar em novas soluções, comunicar melhor suas impressões e elaborar sobre questões mais amplas. Os problemas com que lidamos são cada vez mais complexos e já não se pode contar em resolvê-los sozinhos – precisamos ser cada vez mais flexíveis para produzir conhecimento. Essa é a segunda razão apresentada pelo estudo, que foca na criatividade como medida de excelência no mundo globalizado.

A diferença entre os graus de proficiência dos alunos é também analisada no relatório, que apresenta algumas recomendações para mudar o curso da situação crítica nos EUA. Independentemente de entendermos que algumas dessas soluções apresentadas não sirvam para o momento brasileiro, talvez possamos definir outras ações, políticas públicas e alterações curriculares para suprir as demandas da economia globalizada e prepararmos nossos jovens para enfrentar e desfrutar das oportunidades imediatas que essa nova conjuntura nos apresenta.

Computação 1 a 1: o desafio de guiar os nativos digitais

Publicado por Fabio Tagnin em 18 de julho de 2008 no Blog de Educação Digital da Intel.

Para qualquer um que tenha nascido nos últimos 18 anos, tecnologias como telefone celular, computador e tocador de MP3 fazem parte do seu dia-a-dia tanto quanto o transporte automotivo, a TV em cores e a geladeira eram parte integrante da vida cotidiana dos jovens dos anos 60 a 80. Nossos jovens não chegaram a conhecer um mundo sem vídeo games, e-mail e mensagens instantâneas. Não é preciso ir muito longe para afirmar o que diversos estudos confirmam: que os hábitos dos jovens de hoje são muito diferentes daqueles dos seus pais e professores. Eles vêm sendo chamados de “nativos digitais”, que aderem de maneira transparente e automática às tecnologias emergentes, enquanto os adultos são chamados de “migrantes digitais”, aqueles que precisam adaptar-se – não sem alguma dificuldade – às novas ferramentas e novas formas de fazer as coisas.

Computacao1x1.jpg Os jovens estudantes de hoje vivem em um mundo em que a informação está amplamente disponível para quem quiser obtê-la, por meios eletrônicos diversos como a internet, o computador, o celular, a televisão a cabo e até outdoors eletrônicos. É um mundo sob demanda, onde o conhecimento e as habilidades podem ser adquiridos de várias formas e métodos. Nas escolas, cada vez mais as crianças compartilham com seus colegas e professores o que aprendem em casa, pelos jornais, revistas, televisão e internet. Mas dentro da escola o ambiente ainda é o mesmo de 30 anos atrás.

É exagero dizer que o formato atual da educação está ultrapassado. Os métodos, os meios e as disciplinas vêm sendo atualizados com o passar dos anos, e os professores têm mostrado vontade de aprender a usar as novas tecnologias. Projetores e transparências, lousas brancas, pontos eletrônicos, ar-condicionado, telefones sem fio, televisão, vídeo cassete e até CDs de música e DVDs são todas tecnologias novas que aprendemos e incorporamos dentro da escola. Mas o modelo de passagem de conhecimento permanece o mesmo.

Será que as escolas estão se tornando incapazes de preparar os estudantes para um futuro guiado pela tecnologia? Será que as crianças e jovens continuarão seus estudos com os mesmos livros e cadernos usados há 30 anos? Serão os professores capazes de mudar esse cenário e criar ambientes mais interativos, incorporando as características tecnológicas de informação sob demanda do mundo fora da escola? Essas perguntas não sabemos ainda responder. Mas, antecipando tal desafio, nos lançamos a experimentos visando não apenas manter a presença dos alunos na escola, mas também dar um salto no processo de aprendizado.

É nesse contexto que aparece a implementação da computação um para um (1:1), um ambiente em que os estudantes usam computadores portáteis em seus estudos a qualquer hora e em qualquer lugar. Providos de seus portáteis com acesso sem fio à Internet, os estudantes são capazes de acessar vasta quantidade de informação, assimilar conhecimento em tempo real, realizar atividades e jogos interativos, obter respostas instantâneas a suas dúvidas, compor trabalhos com colegas, comunicar-se com alunos de outras escolas e outros países, e aprender em um ambiente tecnológico que fala a sua língua. Tal processo encoraja os estudantes a se responsabilizarem pelo próprio aprendizado, tornando-os mais motivados, engajados e interessados em sua formação.

Hoje os programas de computação 1:1 nas escolas têm como objetivos homogeneizar o acesso à tecnologia e à informação, aumentar a qualidade do conteúdo assimilado e a profundidade do aprendizado, reforçar a habilidade do aluno aprender por conta própria, e estimular a interação entre todos os atores do palco educacional: alunos, professores, coordenadores e a família. Além disso, o uso de computadores na escola – e fora dela – permite que se crie uma diferenciação nos processos escolares, facilitando a troca de informações entre professores e a escola, tornando os professores, escolas e governos capazes de desenvolver avaliações mais eficientes e, finalmente, ajuda a preparar os estudantes para o extremamente competitivo mercado de trabalho atual.

A implementação de tal programa, no entanto, requer o desenho cuidadoso de um plano para atender a realidade em que as escolas se encontram e atingir o que se pretende alcançar. É um trabalho que requer esforço, dedicação e vontade de mudar. No programa é necessário levar em consideração diversos fatores que têm muitas vezes maior importância que os computadores em si. A sustentabilidade do projeto em longo prazo só é garantida se houver a formação continuada dos professores no uso da tecnologia e na aplicação desta ao currículo escolar proposto. Além disso, é interessante que, pelo menos no início, sejam responsabilizadas pessoas dentro da escola pela conectividade e suporte tecnológico a professores e alunos, pela implantação de políticas de acesso e uso, pelo plano pedagógico e, principalmente, pelo cumprimento de metas e objetivos claros.

Estamos vivendo um avanço tecnológico acelerado e incontestável. Não restam dúvidas sobre se devemos ou não, como cidadãos, pais e educadores, tomar iniciativas no sentido de mudar o modo como ensinamos e aprendemos. O contato intenso com a tecnologia vai certamente avançar e, com isso, esperamos que logo os alunos e professores possam expandir seus horizontes de ensino e aprendizado, incentivando uns aos outros no processo educacional, aprofundando suas capacidades de pensamento crítico, tornando mais eficiente o processo de tomada de decisões e propiciando mais recursos de aquisição, seleção e organização de informações. Nesse sentido, professores estarão mais preparados para melhor apoiar essa nova geração de nativos digitais e os alunos, por sua vez, mais integrados ao ambiente escolar, mais colaborativos, comunicativos, e mais preparados para um futuro profissional de sucesso.

Comentários

23 de julho de 2008 | Francisco Leido dos Santos disse:

Excelente o seu post, esse é o cenário com que nos deparamos atualmente na escola. Sou professor da educação básica e o nosso grande desafio tem sido esse, falar a lingua do jovem e prover essa ponte entre as novas tecnologias e ensino em sala de aula. Solicito a autorização para usar seu texto num curso de educação digital para professores e funcionários do município de Natal – RN.

25 de julho de 2008 | Fabio Tagnin disse:

Caro professor Francisco, obrigado pelo seu comentário. A autorização está concedida, claro! Agradeço se puder colocar na reprodução um link para o nosso blog também. Um abraço.

9 de setembro de 2008 | Cristina De Luca disse:

Vencer a resistência dos professores no uso das novas tecnologias como instrumento pedagógico continua a ser, na minha opinião, a questão-chave para a computalção 1:1.

10 de setembro de 2008 | Hercília Galindo disse:

Estudantes com computadores portáteis, projetores e transparências, lousas brancas, pontos eletrônicos.. realmente, um ambiente perfeito, mas ainda – e infelizmente – tão distante da realidade da maioria da garotada que não estuda em uma escola particular e muitooo bem paga. A nós, jornalistas que cobrimos o setor e acompanhamos projetos e tendências, resta escrever e cobrar muitoooo para que a democracia da educação ocorra também neste ponto. Trata-se de um sonho, mas que pode acontecer.. Antes, é preciso que nas escolas, como as que se encondem nos confins do Nordeste, chegue luz elétrica e professores. Como bem diz este post, “um trabalho que requer esforço, dedicação e vontade de mudar”. A “resistência dos professores” é um segundo passo, antes, para muitas, muitas escolas, eles precisam chegar.